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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O início das buscas.

Bom, se para tudo existe um começo, naquele instante após a descoberta foi o "click" para iniciar a busca por informações.
Já tinha acesso a diversos sites de pesquisas de imigrantes, páginas e grupos de redes sociais, e a experiência de descobrir o lado dos antepassados europeus do meu lado materno.
Árvores genealógicas, certidões civis, listagem de ingresso em hospedarias para imigrantes, navios a vapor trazendo milhões de imigrantes da Europa.... assim comecei as pesquisas.
Como dizem manuais básicos sobre buscas para obtenção do reconhecimento de cidadania europeia, comecei a pesquisar por certidões civis; retrocedendo desde o meu registro de nascimento, para dos meus pais, avós, bisavós... Eis que descubro em poucos dias, o nome da cidade onde a família Ricardo se estabeleceu logo quando chegou da Itália - São Manuel do Paraíso - hoje conhecida como São Manuel, no interior do estado de São Paulo.
Fiz contato com o cartório civil da cidade, e fui muito bem atendido; obtive as informações necessárias de como devia proceder para realizar uma pesquisa profunda nos documentos e registros relacionados com meu avô e bisavô paterno.
Em uma semana recebi a noticia do oficial do cartório, que havia encontrado a certidão de casamento e de óbito do meu bisavô, e a de nascimento do meu avô também. Imediatamente solicitei uma segunda via em inteiro teor das três certidões para checar as informações, e ter a esperança de sanar todas minhas dúvidas quanto ao italiano Salvador Ricardo.
Após mais alguns dias, recebo em minha casa as certidões solicitadas, e a dúvida e questionamentos aumentaram... as idades, data e local de nascimento do meu bisavô em cada certidão constavam informações divergentes entre si. Um detalhe curioso, ele teria casado após a declaração da sua morte; conforme idade declarada nas certidões.
O principal fato importante que estava buscando, seria o nome da cidade italiana de onde vieram meus antepassados. Mas estava escrita de formas diferentes - Sessa Orango/ Sessa Orungo - e nada semelhante encontrava em sites de buscas ou mapas na internet.
Resolvi ir pessoalmente até a cidade de São Manuel, e verificar em loco as informações que obtivera, e tentar descobrir mais dados, registros, etc. Fazendo uma busca no site da prefeitura, encontrei um funcionário com sobrenome "Ricardo", lógico que deduzi que poderia ser um parente. Tentei contato pessoalmente, mas estava em serviços externos, e mesmo assim deixei meus contatos para um possível encontro.
Passei novamente no cartório e solicitei mais algumas certidões, cópias de habilitação de proclamas, registros dos trisavós, irmãos e esposa do meu bisavô. Fui no museu da cidade e descobri publicações da época do casamento do meu bisavô e de seu falecimento; e também do falecimento do meu trisavô - "João Ricardo";
naquele momento percebi que a família era importante na cidade. Cheguei a ir até o cemitério municipal tentar descobrir algo, mas onde constava o local informado de onde estava enterrado meu bisavô, já pertencia a outra família.
Parti de São Manuel em rumo a Ribeirão Preto, para encontra-me com o primo do meu pai que tinha informado sobre minha origem italiana. Passaram-se mais de 30 anos que não nos víamos, e tínhamos muitas histórias para contar um ao outro.
No caminho recebo uma mensagem no celular, aquela pessoa da prefeitura de São Manuel, realmente era um primo, bisneto do irmão do meu bisavô. E aquele sentimento que surge sem explicação, na busca pela minhas origens, minha cidadania italiana, traria muitas emoções e descobertas; e muitos primos estariam por surgir.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A descoberta!

Já se passavam mais de 45 dias após o envio da carta ao endereço que descobri, na cidade natal do meu bisavô Golhito - Alhaurin De La Torre, Málaga. Era 06 de maio de 2016, um dia com uma lembrança marcante, nascimento do meu avô materno que faleceu 3 anos antes. Fazendo uma checagem na minha caixa de e-mail´s, percebo um remetente incomum na pasta de quarentena. Abro o e-mail e começo a ler, mas percebo que não está escrito em português, e sim em espanhol!

Enfim a resposta que aguardava há tempos, um "primo hermano" que residia naquele mesmo endereço onde há 43 anos atrás meu bisavô ficou hospedado.

Foi uma emoção muito grande, não conseguia terminar de ler; muitos pensamentos, lembranças e recordações vieram a minha mente. Neste pequeno texto, o primo dizia ser neto da proprietária do imóvel que acolheu meu bisavô - a prima dele María. Residência esta que fazia parte da família materna do meu bisavô, e que seu pai recordava-se perfeitamente dos dias em que conheceu e conviveu com ele.

Permanecemos em contato por e-mail durante todo ano de 2016, culminando com um encontro presencial em janeiro de 2017; onde juntamente com meu filho, passamos 10 dias no pueblo andaluz conhecendo inúmeros primos da família.

Logo após ao ler este e-mail, um sentimento de curiosidade em buscar minhas origens paternas reascendeu. Não sabia absolutamente nada dos meus antepassados pelo lado do meu pai, apenas algumas palavras que uma tia, irmã do meu pai me dizia quando pequeno: "... essas sobrancelhas grossas que você têm, são da minha mãe, sua avó...". Pelo sobrenome - Ferraz - deduzia que eram portugueses, mas como minha avó faleceu quando meu pai tinha 16 anos, não sabia nada de sua história.

No final de 2015, faleceu um dos irmãos do meu pai, e reencontrei os demais tios que não via há mais de 25 anos. E reencontrei essa tia que falava com muito carinho dos meus olhos, e relembrei juntamente com ela o que me dizia quando pequeno. E quando decidi buscar minhas origens, de onde vieram os Ricardo´s, foi a primeira pessoa que resolvi procurar e tentar obter alguma informação.

Infelizmente ela faleceu alguns dias após, e naquele momento encerrava-se minhas esperanças. Passado alguns dias, meu pais solicitaram minha ajuda para encontrar um primo do meu pai; filho daquela tia que auxiliou na criação dele e dos meus tios após a morte da minha avó. Utilizando a pesquisa na internet por redes sociais, consegui encontrá-lo e coloquei-os em contato.

No dia seguinte este primo, que o conhecia pessoalmente mas há muito tempo não nos falávamos, fez contato comigo. E conversando sobre vários assuntos, relatei minha descoberta das cartas de Málaga e a resposta positiva dos primos. Logo, ele já foi dizendo:

- Você sabia que meu avô que foi casado com a avó Amélia - Salvador Ricardo - o pai do seu avô paterno Waldemar, era ITALIANO???
- Meu bisavô chamava-se Salvador Ricardo, italiano...?. Quer dizer que a origem do meu sobrenome, meu antenato e "dante causa" é italiano? Ok, mas de onde vieram? Onde ficaram estabelecidos aqui no Brasil? Quando chegaram? Quem veio e quantos da família?
- Então primo, isso eu não sei te dizer, mas... - interrompo seus comentários:

- Pode deixar que eu vou buscar e encontrar tudo que for relacionado à eles. Eu sei o caminho das pedras...

Assim iniciei a busca das minhas origens italianas, a informação que tanto procurava chegou em minhas mãos. Bastava agora começar aquilo que tornaria-se UMA EPOPEIA!!!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Lembranças de infância.

Foi há mais de 30 anos, mas lembro-me como se fosse hoje, em uma tarde fria, na cama deitado com minha avó materna:

- Vó quem são os pais do seu pai, o biso Tito?
- Do Tito? Nono Zepherino e nona Luiza.
- E da bisa Caté, sua mãe?
- Nona Doralice e Carlo.
- Ah tá... Do lado do vovô, você saberia os nomes dos pais do biso Golhito?
- Acho que Manoel e Josepha. Mas porque você quer saber tantos nomes assim?
- Por curiosidade vó, só isso...
Na verdade, acho que já estava em busca dos meus ascendentes.

Fui criado pelos meus avós maternos, pois meus pais são deficientes auditivos. E por residir perto deles, foi com quem mais convive; não estando próximo com os familiares do meu pai.

A mãe do meu pai faleceu quando ele tinha 16 anos e meu avô, quando eu tinha 7 anos. Meus cinco tios, também não estavam no meu convívio; portanto da família Ricardo nunca tive informações sobre meus antepassados. Apenas me recordo perfeitamente de pelo menos uma vez por mês até meus 10 anos, visitar minha bisavó que era avó paterna do meu pai e vivia com uma filha; tia do meu pai. Casada ela tinha dois filhos, primos do meu pai. Esta tia foi responsável em ajudar na criação do meu pai e seus irmãos juntamente com minha bisavó, após a morte da cunhada.

A ligação com meus avós maternos é até hoje, muito presente e com laços afetivos que durarão eternamente. Saí da casa deles apenas quando iniciei a constituição de um novo núcleo familiar, há 18 anos. Mas residindo muito próximo, para auxiliar no cuidado deles.

 Antes do falecimento do meu avô materno, ele me deixou várias pastas com documentos, papéis diversos e fotos antigas. Como herança de família, para no futuro ter recordações de todos. E após dois anos da sua morte no início de 2016,  comecei a organizar este "baú de recordações". 


Cartas do meu bisavô para a
família no Brasil.
(Arquivo Pessoal)
Eis que encontro cartas escritas e provenientes da Espanha, da província de Málaga, do pueblo de Alhaurin de La Torre. Estas três cartas foram escritas pelo meu bisavô Golhito, pai do meu avô materno quando este esteve pela última vez em sua cidade natal. Reencontrando parentes após mais de 60 anos de quando partiu com seus pais e irmãos para o Brasil, em busca de uma vida melhor e fugindo principalmente da fome que assolava toda Europa.

Nestas cartas havia um endereço onde meu bisavô hospedou-se por quase dois meses, e que seria o meio de contato caso meu avô precisa-se falar com ele.

Tendo este endereço em mãos, escrevi manualmente uma carta e enviei como antigamente, por correspondência postal para o referido endereço. Eis que após 45 dias recebo uma resposta, que mudaria toda minha vida a partir daquele instante.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sejam bem vindos!

Meu nome é Rodrigo Ricardo, tenho 41 anos e desde que nasci moro no bairro mais italiano da cidade de São Paulo – “Orra meu, eu sou da Mooca Bello!!!”. Sou descendente de italiano, espanhol e português. E há pouco mais de um ano, descobri o direito de ter a Cidadania Italiana reconhecida, por parte paterna. Onde devido a inúmeras circunstâncias, jamais imaginava que meu sobrenome  - Ricardo - fora transmitido por Salvatore Riccardo, meu bisavô italiano e avô paterno do meu pai, nascido em Sessa Aurunca, Caserta na região de Campania. Neste blog contarei toda a epopeia que vivenciei no Brasil e pela Europa, desde a descoberta até chegar ao final do processo de reconhecimento da minha cidadania italiana. Desejo uma boa leitura a todos!